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RUY CINATTI

 

[N. Londres, 8-3-1915 - m. Lisboa, 12-10-1986]

 

 

Ruy Cinatti Vaz Monteiro Gomes


Engenheiro agrónomo, foi também meteorologista aeronáutico e, a partir de 1957, investigador da Junta de Investigações Científicas do Ultramar.
Diplomou-se, por Oxford, em Etnologia e Antropologia Social.

Em Timor, que visitou por diversas vezes e onde viveu alguns anos, desenvolveu intensa actividade nos domínios da Ecologia, da Fitogeografia e da Antropologia Social.
Os resultados das suas pesquisas nestes domínios acham-se compendiados em diversas obras de carácter científico, das quais importa salientar as relativas a aspectos da história, da vida e da cultura timorenses, nomeadamente: Explorações Botânicas em Timor (1950); Vocabulário de Algumas Plantas Timorenses; Pinturas Rupestres de Timor. Poeta, é autor de uma obra relativamente extensa, onde perpassam ecos da sua errância pelo "mundo que o português criou", como é o caso, entre outros, de Crónica Cabo-Verdeana (publicado sob o pseudónimo de Júlio Celso Delgado), Uma Sequência Timorense, Os Poemas do Itinerário Angolano e Lembranças para S. Tomé e Príncipe, 1972.

Foi, nos anos 40, com Tomaz Kim e José Blanc de Portugal, um dos fundadores dos Cadernos de Poesia (1940-1953), que codirigiu nas suas três séries, sendo também o fundador da revista Aventura (1942-1944).
Da sua poesia, diz Jorge de Sena que ela "foi das primeiras a reafirmar entre nós, pela dignidade da linguagem e pela severa independência da intenção, aquele superior sentido das exigências culturais da "aventura" poética que o grupo de Orpheu proclamara". A sua vida e a sua obra encontram-se superiormente tratadas na tese de doutoramento de Peter Stilwell, A Condição Humana em Ruy Cinatti (1995). Peter Stilwell é também o organizador da obra do poeta publicada postumamente.


 

 

in Dicionário Cronológico de Autores Portugueses
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