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CORREIA GARÇÃO

 

[N. Lisboa, 1724 — m. Lisboa, 1771]

 

 

Pedro António Joaquim Correia Garção

Poeta e dramaturgo, um dos fundadores, em 1757, da Arcádia Lusitana, onde usou o pseudónimo Corydon Erymantheo.

Quase toda a sua obra, quer em verso (odes, sonetos, sátiras, epístolas, romances, cantigas e duas comédias), quer em prosa (três dissertações, duas das quais sobre temas de arte teatral, e oito orações), foi publicada postumamente e ilustra, em termos exemplares, a teoria e a prática literárias da Arcádia, de que Correia Garção pode considerar-se, com Manuel de Figueiredo, o lídimo expoente.
De formação clássica e gosto burguês, o seu estro poético atingiu na Cantata de Dido, inspirada num episódio da Eneida, que Garrett considerou «uma das mais sublimes concepções do engenho humano», e incluída como «recitativo» na sua comédia Assembleia ou Partida, o seu ponto alto e um dos mais altos de toda a nossa poética neoclássica.

Correia Garção, preconizando intransigentemente a fidelidade aos modelos literários da antiguidade, defendia no entanto um conceito de «imitação original», expresso em vários passos da sua obra, como ao aconselhar, numa sátira, que se imite «a pureza dos antigos, mas sem escravidão, com gosto livre». Nos seus «dramas» - como lhes chamou -, com os quais se propunha «restaurar a cena portuguesa», fez a crítica ao teatro do seu tempo e às pretensões aristocratizantes da burguesia, numa linha próxima daquilo que o seu confrade Manuel de Figueiredo designava por «natural representação da vida humana» e era a aproximação iluminista da «comédie larmoyante» de Diderot e Sedaine.


 

 

in Dicionário Cronológico de Autores Portugueses

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