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AUGUSTO GIL

 

[N. Porto, 3-7-1873 — m. Lisboa,26-2-1929]

 

 

Augusto César Ferreira Gil

Poeta. Passou a infância na Guarda (cujo ambiente é recriado em alguns dos seus melhores versos). Em Coimbra, para onde foi cursar Direito, «havia a mais perturbadora barafunda no tocante a literatura - como ele próprio o documenta -, desde as últimas lufadas da escola romântica às constantes e efémeras novidades -que vinham de França, em caixotes, mensalmente: instrumentismo, simbolismo, decadentisrno, neo-relígiosismo.» Exerceu a advocacia em Lisboa, tendo, mais tarde, ingressado no funcionalismo público (teve, entre outras funções, a de director-geral de Belas Belas-Artes).

A sua obra manifesta diversas influências: contaminada pelo parnasianismo (sobretudo nos primeiros livros), é visível a de João do Deus e do seu domínio do soneto, a de Cesário no tom realista da descrição urbana e no coloquialismo, e certa assimilação do processos simbolistas (nomeadamente de Verlaine e Eugénio de Castro). Do todo este encontro de tendências ressalta a sua característica mais pessoal, que é, sem dúvida, uma sensibilidade tipicamente portuguesa, de um lirismo terno e suave, atravessado, por vezes de um humor agreste e sarcástico, traduzido em várias formas de ironia e auto-ironia.

Melhor versejador do que poeta, é notável a destreza  com que maneja a quadra popular (ainda hoje correm, anonimamente, quadras suas; e o escrúpulo que põe tanto na forma como na metrificação. As suas historietas, entre o sentimental e o naturalista tornaram-no  quase tão popular como Junqueiro (sobretudo depois da edição do volume Luar de Janeiro, tantas vezes reeditado).
Uma linguagem fluente e musical, corriqueira, uma feitura límpida, quase perfeita, partindo de temas circunstanciais (amorosos, descritivos, por vezes satíricos), colocam-no entre os poetas da última fase do saudosismo nacionalista, aparentando-o, mais do que nenhum outro, a António Correia de Oliveira,

Ladislau Patrício recolheu em Augusto Gil, 1942, vários inéditos em prosa e verso, incluindo uma série de «Perfis» satíricos de diversas personalidades notáveis da época.

 

Dicionário Cronológico de Autores Portugueses
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