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ANTÓNIO GEDEÃO

 

[N. Lisboa, 24-11-1906 -- m. Lisboa, 19-2-1997]

 

 

Rómulo de Carvalho foi professor, pedagogo e autor de manuais escolares, historiador da ciência e da educação, divulgador científico e poeta.
 
Rómulo Vasco da Gama de Carvalho nasceu em 24 de Novembro de 1906, na Rua do Arco do Limoeiro, em Lisboa. Filho de José Avelino da Gama de Carvalho, natural de Tavira, e de Rosa das Dores Oliveira Gama de Carvalho, natural de Faro. Fez a instrução primária no Colégio de Santa Maria, em Lisboa. Entre 1917 e 1925 estudou no Liceu Gil Vicente. Em 1925 matriculou-se no Curso Preparatório de Engenharia Militar da Faculdade de Ciências. Em 1928 mudou-se para o Porto, onde se matriculou no curso de Ciências Físico-Químicas, na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, que concluiu em 1931. Passados três anos realizou o Exame de Estado para o Ensino Liceal, iniciando a actividade docente no Liceu de Camões (Lisboa), continuando no Liceu D. João III (Coimbra) e, depois no Liceu Pedro Nunes (Lisboa), sendo aqui Professor Metodólogo a partir de 1958. A partir de 1946 foi um dos directores da Gazeta de Física, órgão da Sociedade Portuguesa de Física, cargo que exerceu até 1974.
 
Em 1952 na Atlântida Editora (Coimbra), iniciou a publicação de uma colecção de livros de divulgação, onde, sob a forma de interessantes histórias, se referia à descoberta de importantes instrumentos científicos. A História do Telefone foi o primeiro título desta colecção, que continuou depois com a história da fotografia, dos balões, da electricidade estática, do átomo, entre outras. Em 1953 publicou o Compêndio de Química, para o 3º ciclo.
 
Em 1956 publicou, com o pseudónimo de António Gedeão, o seu primeiro livro de poesia, Movimento Perpétuo (Coimbra), seguido de outros livros, Teatro do Mundo, em 1958 e Máquina do Fogo, em 1961. Em 1963 publicou a peça de teatro RTX 78/24.
Em 1964, para comemorar o 4º Centenário do nascimento de Galileo Galilei, escreveu o "Poema para Galileo", que foi traduzido para língua italiana por Roberto Barchiesi, e publicado, em edição bilingue, pelo Istituto Italiano di Cultura. Este poema, musicado e cantado por Manuel Freire, conheceu uma grande expansão, tal como a "Pedra Filosofal", ou a "Lágrima de Preta".
 
Em 1965 foi co-director da revista do Liceu Pedro Nunes, Palestra. Esta revista pedagógica publicou-se durante 8 anos. Em 1967, publicou novo livro de poesias, Linhas de Força. Foi membro da direcção do Boletim do Ensino Secundário do Ministério da Educação ( de 1973 a 1975 ).
Em 1974, concluindo 40 anos de actividade docente, aposentou-se da Função Pública. Em 1983 tornou-se Sócio Correspondente da Academia das Ciências de Lisboa e em 1992 passou a Sócio Efectivo.
 
Em 1984 publicou Poemas Póstumos, de António Gedeão, que foram seguidos, em 1990, pelos Novos Poemas Póstumos.
 
A 10 de junho de 1987 foi nomeado, pelo Presidente da República, Grande Oficial da Instrução Pública. Em 1990 foi nomeado Director do Museu Maynense, da Academia de Ciências de Lisboa. Em 1992, a Escola Secundária da Cova da Piedade adoptou como patrono o nome de António Gedeão. A 8 de Junho de 1995, a Universidade de Évora conferiu a Rómulo de Carvalho o grau de Doutor “Honoris Causa”.
 
Em 1996, com o patrocínio do Ministério da Ciência e da Tecnologia e com a participação de muitos organismos, promoveu-se uma Homenagem Nacional a Rómulo de Carvalho/António Gedeão. A 15 de Novembro de 1996, foi atribuída a Rómulo de Carvalho da Medalha de Prata da Universidade Nova de Lisboa, na Faculdade de Ciências e Tecnologia.
A 17 de Dezembro de 1996, o Presidente da República atribuiu-lhe a Grã Cruz da Ordem de Mérito de Santiago da Espada, na Escola Secundária Pedro Nunes. A 18 de Dezembro de 1996, foi-lhe atribuída, pelo Ministro da Cultura, a Medalha de Mérito Cultural, na Fundação Calouste Gulbenkian.

Faleceu em 19 de Fevereiro de 1997 na cidade de Lisboa.
 

Historiador da Ciência


Foi em Coimbra, no Liceu Normal D. João III, onde permaneceu no período de 1950 a 1957, que Rómulo de Carvalho iniciou o seu trabalho de investigação em História da Ciência em Portugal. Aí conviveu com Joaquim de Carvalho e com Silva Dias e entrou em contacto com o Gabinete de Física Experimental pombalino e os trabalhos que sobre este Mário Silva já elaborara. É deste período a sua primeira obra de investigação sobre história da ciência em 1953, o livro Ferreira da Silva, Homem de Ciência e de Pensamento.
 
Atraiu-o a ciência do século XVIII, por razões que ele próprio explicou numa entrevista ao jornal Público em 24/11/1996: “Foi no século XVIII que se fez a transformação fundamental nos métodos de ensino. Foi o momento exacto em que o domínio da Igreja, que vinha desde o início, foi enfrentada pelos filósofos. Queria saber como é que em Portugal se tinha procedido em relação àquela movimentação que se fazia no mundo ocidental e fui à procura dos possíveis homens de ciência que entre nós tivessem trabalhado nesse sentido.”
 
Após a sua reforma da docência, Rómulo de Carvalho passou a frequentar assiduamente os fundos documentais da Academia das Ciências e elaborou diversos estudos sobre a própria Academia, como A actividade pedagógica da Academia das Ciências de Lisboa nos séculos XVIII e XIX (1981), a primeira de um conjunto de 16 obras que publicaria sobre o século XVIII com o patrocínio da Academia. Também na Academia estudou, recuperou e catalogou o material que servira na Aula Maynense, trazendo a público a respectiva colecção de Física, sob o título O material didáctico dos séculos XVIII e XIX do Museu Maynense da Academia das Ciências de Lisboa (1993). Estudou também a colecção de Antropologia da Academia, composta sobretudo por peças colhidas por Alexandre Rodrigues Ferreira (1756-1815) na respectiva viagem filosófica ao Brasil (1783-92).
Enquanto historiador, relacionava com frequência a actividade científica desenvolvida em Portugal com a actividade pedagógico/didáctica, pelo que em 1986 publicou a História do Ensino em Portugal, obra de referência no estudo do sistema educativo português.
 
Divulgador/Pedagogo

Rómulo de Carvalho desenvolveu uma actividade de divulgação científica que marcou gerações em Portugal. Os seus livros de divulgação em Ciência e Tecnologia e os seus artigos em jornais revelavam a sua preocupação com o despertar do interesse dos portugueses pelo conhecimento científico. Na Gazeta de Física publicou, até 1974, 22 artigos de divulgação científica, actualização didáctica e orientação pedagógica.
 
“A divulgação, conforme eu gosto, é aquela que dá aos jovens as respostas que eles nunca chegaram a fazer. ‘Largo um corpo, porque é que ele cai?’ é uma coisa que pode interessar a toda a gente e trata-se de explicar isso em termos agradáveis. Para que possam ler e levá-los a pensar com mais pormenor nesse assunto e noutros.” (Entrevista, Público, 24-11-1996).
 
A par desta actividade de divulgação, publicou, entre 1953 e 1975, diversos manuais de ensino da Física, da Química, e das Ciências da Natureza, que por várias vezes foram reeditados, tendo sido utilizados durante vários anos nos ensinos liceal e complementar.
 
Destaque também para os seus cadernos de iniciação científica, onde tratava temas da Física e da Química, e para a colecção de livros “Ciência para Gente Nova”, onde esclarecia os jovens sobre temas da Física e da Química.
 
Nas suas aulas procurou sempre integrar o ensino experimental, de forma a complementar os conhecimentos teóricos e facilitando a compreensão dos seus alunos: “Em relação ao ensino experimental, as experiências acompanham aquilo que queremos ensinar quando estamos na aula, mas o método de ensino não é exclusivamente experimental. As experiências servem para esclarecer o aluno sobre aquilo que está a ouvir. Eu levava sempre para a aula material que punha em cima da mesa e os alunos olhavam com toda a curiosidade: ‘Para que é isto? Para que é aquilo?” À medida que ia falando, ia preparando as coisas e mostrando o que se passava, para ilustrar aquilo que estava a dizer.” (Entrevista, Público, 24-11-1996)
 

 

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