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NICOLAU TOLENTINO

 

[N. Lisboa, 1740 — m. Lisboa, 1811]

 

 

NICOLAU TOLENTINO DE ALMEIDA 

Poeta satírico português, natural de Lisboa. Estudou direito em Coimbra durante vários anos e, em 1767, tornou-se professor de retórica e de poética. Em 1780, ocupou um cargo de funcionário da secretaria de estado dos Negócios do Reino.

A obra de Tolentino de Almeida abarca sonetos, odes, memoriais e sátiras, entre outros géneros; apenas em 1801 o poeta reuniu os seus textos em volume, com o nome de Obras Poéticas. Após a sua morte, surgiram algumas edições mais completas da sua obra, incluindo textos até então inéditos.

A sátira de Tolentino, que o tornou particularmente conhecido e o distinguiu dos poetas seus contemporâneos (não pertenceu, aliás, a nenhum dos grupos literários arcádicos), dirige-se à mesquinhez dos costumes, à pelintrice das aparências, à insensatez de certos grupos sociais e comportamentos, num humor pitoresco e irónico. O próprio poeta se inclui entre os cúmplices dessa mediocridade, assumindo a sua pequenez resignada - alguns dos seus poemas são homenagens a grandes figuras da época, de cuja protecção e auxílio necessitava. Tolentino apresenta-se como vivendo na miséria, e assume-se, ele próprio, consciente e ironicamente, personagem da comédia humana que caricatura.

Do ponto de vista estilístico, a obra do poeta caracteriza-se pela sua simplicidade, longe da grandiloquência e das métricas próprias dos poetas neoclássicos. O seu verso aproxima-se das formas populares, e o seu tom da coloquialidade, o que contribui para os efeitos de denúncia de vícios corriqueiros, de episódios quotidianos.

É considerado por muitos um dos grandes vultos literários do século XVIII português e um dos maiores satíricos nacionais.

 

in História Universal da Literatura Portuguesa, http://www.universal.pt

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