Qual  é, coração, o mar que tu sondas
      Sem nada encontrar?
O seu túmulo é ao lado das ondas
      À beira [do] mar.

O sonho que queres, em vão o afagas,
      Só podes achar
O túmulo dela ao lado das vagas
      À beira do mar.

Não sei que ela era, não sei porque, morta,
      A foram deixar
Aqui onde nada com ela se importa
      À beira do mar.

Procura, procura embora não □
      Que buscas achar
Seu nome e o túmulo
      À beira do mar.

No rasto das ondas, na areia e na aragem
      Não podes achar
A sombra furtiva da inútil imagem
Que dorme, tranquila, com □ por pajem
      [À beira do mar.]

Murmúrio das ondas, fragor nos rochedos
      Do arranco falado
Das vagas que batem com choques e quedos
      □

 

16 - 7 - 1917

In Poesia 1902-1917 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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