Prazer, Mas devagar,
Lídia, que a sorte àqueles não é grata
    Que lhe das mãos arrancam.
Furtivos retiremos do horto mundo
    Os depredandos pomos.
Não despertemos, onde dorme, a erínis
    Que cada gozo trava.
Corno um regato, mudos passageiros,
    Gozemos escondidos.
A sorte inveja, Lídia. Emudeçamos.

 


In Poesia , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, 2000
Ricardo Reis
[PRAZER MAS DEVAGAR ]
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