Se é lícita uma lágrima nas rosas,
Com que, ó noite de Abril, nos ris coroada,
Dos mártires da Pátria libertada
Uma lágrima às sombras generosas!

Seus sepulcros dão palmas gloriosas;
Heróis herdaram sua nobre espada;
E hecatombe de tigres lhe é votada
De dia a dia às cinzas sequiosas.

Mas no Elísio onde estão, hoje pensando
Que um dia mais que o céu por Lísia passa,
Saudoso se reúne o egrégio bando.

Murmuram longo viva à jovem Graça,
E involuntária lágrima escapando
Do néctar entre as mãos lhes turva a taça.

António Feliciano de Castilho
« Voltar