Eis-me em mim absorto
Sem o conhecer...
Bóio no mar morto
Do meu próprio ser.

Sinto-me pesar
No meu sentir-me água...
Eis-me a balancear
Minha vida-mágoa...

Barco sem ter velas...
De quilha virada...
O céu com Estrelas
É frio como espada.

E eu sou vento e Céu...
Sou o barco e o mar...
Sei que não sou eu...
Quero-o ignorar...
12 - 5 - 1913

In Poesia 1902-1917 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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