No fim da chuva e do vento
      Voltou ao céu que voltou
A lua; e o luar cinzento
      De novo, branco, azulou.

Pela imensa estelação
      Do céu dobrado e profundo,
Os meus pensamentos vão
      Buscando sentir o mundo.

Mas perdeu-se como uma onda
      Na maré universal
E o sentimento não sonda
      O que o pensamento vale.

Que importa? Tantos pensaram
       Como penso e pensarei.

2 - 10 - 1928

In Poesia 1918-1930 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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