Vens, e não sonho mais
Quebra-se a onda no penedo austero.
E o mar recua, sem haver sinais
De que te quero.

Não sei amar, ou amo o que me foge.
Já com Deus foi assim, na juventude:
Dei-lhe a paixão que pude
Enquanto o namorava na distância;
Depois, ou medo, ou ânsia
De maior perfeição,
Vi-o junto de mim e fiquei mudo.
Neguei-lhe o coração.
E então perdi-o, como perco tudo.

 

 


In Penas do Purgatório
Miguel Torga
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