Súbdito inútil de astros dominantes,
Passageiros como eu, vivo uma vida
      Que não quero nem amo,
      Minha porque sou ela, 

No ergástulo de ser quem sou, contudo,
De em mim pensar me livro, olhando no atro
     Os astros que dominam
     Submissos de os ver brilhar.

Vastidão vã que finge de infinito
(Como se o infinito se pudesse ver!) —
      Dá-me ela a liberdade?
      Como, se ela a não tem?

19 - 11 - 1933

In Poesia , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, 2000
Ricardo Reis
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