Horas serenas,
Dias contentes,
Ligeiras penas
Indiferentes
Às almas rentes
Ânsias pequenas...

Porque mais ter
Do que estas mágoas,
Vida viver
Como a das águas,
Tocarem nas fráguas
Sem as mover...

Alma estagnada,
Ócio risonho
Vida mais grada.
Era tristonho...
Se tudo é sonho
E o sonho é nada...

18 - 12 - 1912

In Poesia 1902-1917 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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