Alastor, ‘spírito da solidão,
Perseguiu, passo a passo, meus vãos passos,
Castigando, com vãos e vis cansaços,
O meu cansaço variado e vão.

Não busquei realidade ou ilusão,
Só a sempre buscar abri os braços,
Por isso pesa nos meus membros lassos
Do Averno extremo a extrema confusão.

Longe das próprias sombras desterradas,
Erro excluso nas últimas estradas
Do Averno, sombra extinta em vagos níveis

Do abismo incerto, pois busquei na vida
Não o buscado, mas buscar,
Por ter amado as cousas impossíveis.

11 - 1 - 1918

In Poesia 1918-1930 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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