Na noite casa fria
Foi tão verde
A luz de
ver-te
Sorrir-te
Vermo-nos
e sorrirmo-nos
Brancos parados
Olhando-se
Aves imóveis
Espaço deslumbrado
Brancos ambos parados
Amando-se e nunca
Nos sanaremos
Nós o sabemos
Nós dois serenos
Sorrindo
Amados amantes
Seremos
E para
nos amar
Nascemos
E para nos amar
Morremos
Verde
espanto
Verde pranto
Verde
canto
Tanto
nos amamos
Tanto não sanaremos
Tanto nos perdemos

In Voz Nua , Livros Horizonte, 1986
Matilde Rosa Araújo
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