Ignoro e espero. Passa no arvoredo
Um vento que o faz mar.
Esse outro modo meu far-me-ia medo
Ou sentir sem pensar.

Agora não. Dá-me um repouso à alma
Em que penso, a sorrir,
E quanto penso é uma lua calma
No céu de eu o sentir.

Ignoro e espero, vagaroso e alheio.
E, ao som que me embalou,
Cada vez mais inteiramente creio
No que em mim durmo e sou.

11 - 7 - 1934

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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