Tem a amarga tristeza das coisas que acabamos. 
Sobre a praia, a branca vaga veio quebrar. 
Dela, nada que dizer. 
A folha murchou. Mais já não pode mostrar 
Que uma lição, sem prazer. 

Findou o dia. Quem fala da sua aurora 
Que a noite não vá pensar? 
Podre o cadáver. Que ele nascesse outrora, 
Falso parece ao olhar. 

Parou o coração; não volta já a vibrar 
De cuidados ou de amor. 
Sumiu sua voz; já não pode soluçar 
Em sua profunda dor. 

Assim tudo passa e tudo fica desfeito, 
Mesmo o que lembrado está; 
No fundo de nós o «foi», sentido no peito, 
Só quer dizer «não é já». 


In Poesia , Assírio & Alvim , edição e tradução de Luisa Freire, 1999
Alexander Search
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