Desfaze a mala feita p’ra a partida !
      Chegaste a ousar a mala ?
 Que importa? Desesperar ante a ida
      Pois tudo a ti iguala.
Sempre serás o sonho de ti mesmo.
      Vives tentando ser,
Papel rasgado de um intento, a esmo
      Atirado ao descrer.
Como as correias cingem 
      Tudo o que vais levar!
Mas é só a mala e não a vida na mala [?]
      Que há-de sempre ficar !
2 - 7 - 1931

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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