Ficção de que começa alguma cousa!
Nada começa: tudo continua.
Na fluida e incerta essência misteriopsa
Da vida, flui em sombra a água nua.

Curvas do rio escondem só movimento.
O mesmo rio flui onde se vê.
Começar só começa em pensamento.


[1-1-1923]

In Poesia 1918-1930 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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