Vem beber dois. Toda a vida
É uma coisa sem nexo
Que só se sente bebida
Quando perde o nexo e o sexo.

Vem comigo conversar
Enquanto o vinho se esgota.
Que mais nos vale estar
A morrer-nos, gota a gota?

Tudo é absurdo. Nada obriga.
E sobre esta confusão
É ponte o fio que liga
A taberna ao coração.

18 - 9 - 1933

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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