«Deste-me um nome de rua,
de uma rua de Lisboa.
Muito mais nome de rua
do que nome de pessoa.
Um desses nomes de rua
que são nomes de canoa.

Nome de rua quieta
onde à noite ninguém passa.
Onde o ciúme é uma seta,
onde o amor é uma taça.
Nome de rua secreta
onde à noite ninguém passa.
Onde a sombra de um poeta
de repente nos abraça.

«Com um pouco de amargura,
Com muito de Madragoa,
e a ruga de quem procura,
e o riso de quem perdoa,
deste-me um nome de rua,
de uma rua de Lisboa.

«Nome de rua quieta
onde à noite ninguém passa.
Onde a sombra de um poeta
de repente nos abraça.
Nome de rua secreta
onde à noite ninguém passa.
Onde o ciúme é uma seta,
onde o amor é uma taça.»

 

 


In Obra Poética
David Mourão-Ferreira
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