Com duas mãos — o Acto e o Destino — 
Desvendámos. No mesmo gesto, ao céu 
Uma ergue o fecho trémulo e divino 
E a outra afasta o véu. 

Fosse a hora que haver ou a que havia 
A mão que ao Ocidente o véu rasgou, 
Foi a alma a Ciência e corpo a Ousadia 
Da mão que desvendou. 

Fosse Acaso, ou Vontade, ou Temporal 
A mão que ergueu o facho que luziu, 
Foi Deus a alma e o corpo Portugal 
Da mão que o conduziu. 


In Mensagem , Assírio & Alvim, ed. Fernando Cabral Martins, 1997
Fernando Pessoa
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