Meu ruído da alma cala.
E aperto a mão no peito,
Porque sob o efeito
Da arte que faz jeito,
O que Cristo deu fala.
 
Cega, coxa,lixo
Da vida que n’alma tem,
Esta criança vem.
Que Deus é que do além
Teve este mau capricho?

E ou seja jazigo
Ou sótão com pó,
Bebé foi-se embora.
A gente está só.

26 - 7 - 1930

In Poesia 1918-1930 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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