Que coisa é que na tarde
Me entristece sem ser?
Sinto como se houvesse
Um mal que acontecer.

Mas sinto o mal que vem
Como se já passasse...
Que coisa é que fiz isto
Sentir-se e recordar-se?

Talvez que seja a brisa
Que ronda o fim da estrada
Talvez seja o silêncio,
Talvez nem seja nada...

17 - 7 - 1930

In Poesia 1918-1930 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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