Eu me resigno. Há no alto da montanha
Um penhasco saído,
Que, visto de onde toda a coisa é estranha,
Deste vale escondido,
Parece posto ali para o não termos,
Para que, vendo-o ali,
Nos contentemos só com o ali vermos
No nosso eterno aqui…

Eu me resigno. Esse penhasco agudo
Talvez alcançarão
Os que na força firme põem tudo.
De teu próprio silêncio altivo escudo,
Não vás, meu coração.

28 - 10 - 1933

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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