Tambor da banda que não há
Toca sempre, toca já,
Toca duro, toca louco,
Toca achando sempre pouco
O que tocas - tão, tão, tão,
Toca, que tocar é vão!

Toca até partir quem és
E que ao tom que em ti houver
Dançam outros - é sua vez! -
Toca que é o teu dever!
Toca! tão, tão, tão, tão,
Toca, que és meu coração!


[23-6-1934]

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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