Ia elegante, depressa,
Sem pressa e com um sorriso,
E eu, que sinto co’a cabeça,
Fiz logo o poema preciso.

No poema não falo dela
Nem como, adulta menina,
Vira a esquina daquela
Rua que é a eterna esquina…

No poema falo do mar,
Descrevo as ondas e a mágoa.
Leio-o e fico a relembrar
E uma figura a virar
A esquina chora-me na água.

 

14 - 8 - 1932

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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