IV

Único sob as luzes
E Pã entre sombras de árvores
Toca que flauta? Nenhuma
São o que eu sonho as avenas
E flores grandes monótonas
Boiando em mortos tanques
As grades iguais que contornam
A entrada para o palácio...

Portões para cidades desertas
As Horas colares de pedras falsas
E tudo numa só cavalgada para o excesso de mim
Entre altos ramos.

v

Toda orquídea a minha consciência de mim
E entre espezinhamentos de púrpuras
Os séquitos abandonaram os Reis
Porque, escorrendo-me entre sonhos de parapeito
Sobre ermas planícies de arvoredos e rios
As mãos cruzadas sobre o peito
E o gesto parado de não querer nada
Salvo (um relógio distante dando horas)
A sorte morta a cores de vitrais esquecidos.

26 - 9 - 1914

In Poesia 1902-1917 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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