Há um grande som no arvoredo.
Parece um mar que há lá em cima.
E o vento, e o vento faz um medo...
Não sei se meu coração me estima...

Sozinho sob os astros certos
Meu coração não sei da vida...
Ó vastos céus, iguais e abertos,
Que é esta alma indefinida?

Que é esta inspiração constante
Para o que é obscuro e geral
Do vento que vai alto e ondeante
Da treva que me □

21 - 10 - 1930

In Poesia 1918-1930 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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