Não canto a noite porque no meu canto
O sol que canto acabará em noite.
      Não ignoro o que esqueço.
      Canto por esquecê-lo.

Pudesse eu suspender, inda que em sonho,
O Apolíneo curso, e conhecer-me,
      Inda que louco, gémeo
      De uma hora imperecível!

2 - 9 - 1923

In Poesia , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, 2000
Ricardo Reis
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