Hora a hora não dura a face antiga
Dos repetidos seres, e hora a hora,
      Pensando, envelhecemos.
Tudo passa ignorado, e o que, sabido,
Fica, sabe que ignora, porém nada
      Torna, ciente ou néscio.
Pares, assim, do que não somos pares,
Da hora extinta a chama reservemos
      No calor recordada.
16 - 11 - 1923

In Poesia , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, 2000
Ricardo Reis
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