Eu sou luar sobre mim-mesmo e a ponte
De repente já tinha soçobrado
Quando voltei o olhar sobressaltado
De não-mim de mais p’ra defronte

Cortejo lento através de ligado horizonte
Na encosta de lá do único monte
A aldeia, e a vida com seu vário fado...

Ruíram... Nas mãos alvas como a tarde
O seu cabelo d’ouro erguido esteve
Como penteando-se com a mão leve...

Sem princípio nem fim ao seu alarde
Ficou o rastro das cruzadas falsas

3 - 12 - 1914

In Poesia 1902-1917 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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