perseguem-te os cães de ninguém
e por trás da tua cabeça rebenta a luz
que lhes devora a reles pelagem - com um dardo
abre a ferida do ouro que carregas à cintura

tudo se mantém obscuro na orla das dunas
as mulheres crescem por dento das miragens
mostram os seios
descem à fontes turvas dos oásis
dormem
envoltas na poeira e na baba dos dromedários

durante a noite um chacal ronda o limite
das imagens - uiva dentro da pele
deixando pegadas na chamejante madrugada

levanta os olhos e a voz - abre a boca
solta a praga de gafanhotos acidulados pela geada
dos verdes dos azuis das antracites e sorri
ao fechares o pequeno livro da abissínia

quem anunciará aos vindouros destas paragens
o esplendor do lume por cima da floresta de bisédimo?

 

 


In O Medo
Al Berto
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