desejaste um país de silêncio
de chuvas salgadas - sem caminhos nem sonhos

tiveste um país sombrio
onde a realidade devorou o delírio e
ficou desabitado - este país nocturno que geme
contra a solidão do corpo - perguntas-te

que espécie de lume cospem os cardos?
caberá o mar dentro da tua ausência? E o caule
negro dos analgésicos por mim acima... que cidade
de areia construída grão a grão aparecerá?
quantas lisboas estão enterradas? ou submersas?

o vento traz-te o aroma dos trópicos
dos tamarindos floridos das avenidas e dos fenos
primaveris das planícies - leva-te no alado ácido
das geadas e das incertezas

dirás coisas alucinadas – as almas
uma álea de roseiras e
da bruma desprende-se
o adocicado olor da morte

 

 


In O Medo
Al Berto
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