Fermosa penitente, que lavaste
Co’ licor dos teus olhos cristalino
Tu’alma, e pé de Christo, e os enxugaste
Com tranças derramadas d’ouro fino.
 
Quanto amores por hum só divino
Num ponto para sempre desprezaste,
Quantos sospiros deste de contino
Quam bem por tal amor os empregaste!
 
Em sanctas esperanças as danosas
Trocar soubeste, e mil desejos varios
 Num só desejo, em lagrimas o riso,
 
 As cidades em ermos solitarios,
 Rochedos toscos, lapas escabrosas,
 Num brando, e deleitoso paraiso.
Diogo Bernardes
[FERMOSA PENITENTE QUE LEVASTE]
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