Cheguei à janela,
Porque ouvi cantar.
É um cego e a guitarra
Que estão a chorar.
 
Ambos fazem pena,
São uma coisa só
Que anda pelo mundo
A fazer ter dó.
 
Eu também sou um cego
Cantando na estrada,
A estrada é maior
E ninguém dá nada.
26 - 2 - 1931

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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