Ritos que as Horas Calmas
      Ao entardecer
Fazem com as almas
      Sem se conhecer...
E que em voos de ânsias
      Põem espirituais distâncias
Entre olhar e ver.

Turíbulos que a Tarde
      Oscila no ar
Donde a névoa arde
      Cor desde cansar...
Arco dos balanceados
Turíbulos os raios do sol fechados
      Na destreza do ar

Fim de missas no Poente
      Bênçãos ainda são
Luz branca e cinzas entre
      Terra e coração
Saem os fiéis p’la aberta
Porta da paisagem que se deserta...
      ...Sinos sem perdão...

27 - 3 - 1914

In Poesia 1902-1917 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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