Cismo, remoto da calma
Em que de sentir-me vou,
Não sei quem é a minha alma
Nem ela sabe quem sou.

E neste mal entendido
Entre quem sou e o que é eu
Vai, tudo com outro sentido
Que está entre a terra e o céu.

No intervalo cresce o mundo
Com sóis e estrelas sem fim.
Tem um sentido profundo.
Conheço-o. É fora de mim.

 

31 - 3 - 1934

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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