Um dia e outro dia
                          A surpresa perdura
Raiada cada vez mais
De negro


As águas prosseguem
                              indiferentes dir-se-ia
A uma e outra margem
Que não se encontrarão
Nunca


É tudo cada vez menos
Compreensível
Os olhos permanecem
Inteiramente abertos
Ao assombro


Segundo tudo indica
O rio não tem princípio
Nem fim


Nem depende do ser

 


Londres, 20 de Setembro 98

In Horizonte
Alberto de Lacerda
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