De crisântemos, só crisântemos
      A paisagem é só (d’) isto...
Os instintos (claros) que em nós vemos,
      Não são verdade, insisto...

A que distância estamos de nós!
      Sei lá que eu sou!
Cose, costureira... No teu retrós
      Há uma espécie de voo.

Não há nexo hoje em meu pensamento
      Ando a bater
A todas as portas do sentimento
      Sem esperar (que abram) ou ver.

E há neste □ uma vaga dor
      E um incerto gozo
Vivo as sensações como num amor
      Sensual ao ocioso

E como uma vela ao fundo do mar
      Vejo a vida ir...
Estrofes dubitadas.
      Da praia de mim vejo-a passar...
Tornará a vir?

12 - 11 - 1914

In Poesia 1902-1917 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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