Vai-te embora, sol dos céus!
Os olhos da minha irmã
Foram criados por Deus
P'ra substituir a manhã.

E se alguém achar mais bela
A noite, por ter mais alma,
Reparem que os olhos dela
Têm a cor da noite calma.

Assim, manhãs na viveza
E noite na cor que têm,
Se há olhos de igual beleza,
Inda os não usou ninguém.

11 - 7 - 1920

In Poesia 1918-1930 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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