No fim do fim de tudo,
Onde nada há nem vive,
Um grande ídolo mudo
Está hoje onde estive.

Vão crentes dar-lhe incenso.
Amam-no a ele só.
E o incenso é o que eu’ penso,
E o amor é quem eu sou.

Foi num templo esquecido
E num sacrário incerto
Longe de todo ruído
Deste mundo desperto.

4 - 8 - 1934

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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