Minha aldeia todo o mundo.
Todo o mundo me pertence.
Aqui me encontro e confundo
com gente de todo o mundo
que a todo o mundo pertence.

Bate o sol na minha aldeia
com vrias inclinaes.
ngulo novo, nova ideia;
outros graus, outras razes.
Que os homens da minha aldeia
so centenas de milhes.

Os homens da minha aldeia
divergem por natureza.
O mesmo sonho os separa,
a mesma fria certeza
os afasta e desampara,
rumorejante seara
onde se odeia em beleza.

Os homens da minha aldeia
formigam raivosamente
com os ps colados ao cho.
Nessa priso permanente
cada qual seu irmo.
Valncias de fora e dentro
ligam tudo ao mesmo centro
numa inquebrvel cadeia.
Longas razes que imergem,
todos os homens convergem
no centro da minha aldeia.

 


In Teatro do Mundo
António Gedeão
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