a toalha da mesa surge no primeiro plano
e a pálpebra semi-aberta de um fruto perde-se
no amargo traço de uma boca que assinala o tempo

organizo
os frutos em sequências de cor
primeiros os azuis-cobalto e os negros depois
os amarelos das ardentes fúchsias evocam
misteriosas presenças

pouso os pincéis perto da janela
avisto uma folha de revista à chuva e
no vento de três pêssegos movem-se
ao fundo
as mãos líquidas revelando quem medita
sentado sob o melancólico peso da luz
que constrói e define a casa


In O Medo
Al Berto
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