Cai verde o ocaso. A noite é ausente.
Um tédio absurdo e excessivo vem
Do ‘spaço claro do céu silente.
Meu ser vazio não é ninguém.

E triste ermo, do vão passado,
E do futuro vão que já sei,
O esforço ‘stéril a dar e dado
Ó dia inútil que deixarei.

E neste momento de azul e verde
É como um prazer, como a coragem6 alheia,
Saber que tudo se descobre e perde
E que o dilui a si em cheia.

8 - 12 - 1927

In Poesia 1918-1930 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
« Voltar