O raio cristalino se estendia
pelo mundo, da Aurora marchetada,
quando Nise, pastora delicada,
donde a vida deixava, se partia.

Dos olhos, com que o Sol escurecia
levando a vista em lgrimas banhada,
de si, do Fado e Tempo magoada,
pondo os olhos no Cu, assi dezia:

«Nasce, sereno Sol, puro e luzente;
resplandece, fermosa e roxa Aurora,
qualquer alma alegrando descontente;

que a minha, sabe tu que, desde agora,
jamais na vida a podes ver contente,
nem to triste nenhũa outra pastora».
 

Luís Vaz de Camões
[O RAIO CRISTALINO SE ESTENDIA]
Voltar