Flui, indeciso na bruma,
Mais do que a bruma indeciso,
Um ser que é cousa nenhuma
E a quem nada é preciso…

Quer somente consistir
No nada que o cerca ao ser,
Um começo de existir
Que acaba antes de o ter.

É o sentido que existe
Na aragem que mal se sente
E cuja essência consiste
Em passar incertamente.

26 - 4 - 1934

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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