Em segredo, não vá
Qualquer cousa erguer
O vulto de onde está
A esquecer…

Em segredo, não seja
Verdade o mundo, e vão
Tudo quanto deseja
O coração…

Em segredo, em segredo
Que o mais que há seja a alada
Cousa que entre o arvoredo
Não era nada.

 

29 - 1 - 1931

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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