(Nunca usei um relógio. O tempo nunca coube num                                      relógio)


As grandes descobertas
surgem
com a naturalidade de continuarem incertas
— ilhas  sólidas no nevoeiro

Por exemplo:
o tempo sou eu.
Apenas eu.
Uma espécie de relógio
com pele.
pés doridos do gelo.
a mão que empurrou a porta.
acendeu a luz eléctrica.
lançou lenha na fornalha
—  e agora aqui estou estendido no divã
à espera de quê?

Dos passos que nunca ouvi
instantes de outro tempo
sem manhã
nas cinzas do relógio em ti.

 


In Noruega
José Gomes Ferreira
« Voltar