Quanto estou só reconheço
Se por momentos me esqueço
Que existo entre outros que são
Como eu sós, salvo que estão
Alheados desde o começo.

E se sinto quando estou
Verdadeiramente só,
Sinto-me livre mas triste,
Vou livre para onde vou
Mas onde vou nada existe.

Creio contudo que a vida
Devidamente entendida,
É toda assim, toda assim.
Por isso passo por mim
Como por cousa esquecida.

9 - 8 - 1931
Fernando Pessoa
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